13 Perguntas Para Projetar um Empreendimento Holístico: Criando “Negócios Para O Bem”

É possível harmonizar a prática holística com a atividade empreendedora?

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“Um mestre na arte de viver não faz distinção entre seu trabalho e sua brincadeira, sua profissão e seu lazer, sua mente e seu corpo, sua educação e sua recreação. Ele dificilmente sabe qual é qual. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo o que faz, deixando os outros decidirem se ele está trabalhando ou brincando. Para ele, ele sempre está fazendo as duas coisas e é suficiente que as faça bem.”
Lawrence P. Jacks

O Projeto de Negócio Baseado na Plena Consciência

My Mindful Business ou o projeto de negócio baseado na plena consciência apoia o profissional holístico a integrar as dimensões técnica e empreendedora de sua prática holística.

A metodologia enfrenta as principais dificuldades encontradas ao reconhecer e gerenciar “o lado negócio” da atividade holística, por exemplo:

  • Harmonizar minha atividade holística e meu lado empreendedor
  • Preferir cooperar do que competir
  • Gerar um valor diferenciado em relação ao que já existe
  • Divulgar meus serviços compartilhando conhecimento
  • Descobrir e encantar novos clientes
  • Comunicar melhor o valor que entrego às pessoas
  • Separar as finanças pessoais e as do negócio
  • Fazer um planejamento estratégico
  • Buscar a sustentabilidade econômica em minha atividade holística
  • Vencer preconceitos ou inseguranças em relação ao mundo dos negócios
  • Harmonizar o que amo e sei fazer, com o que o mundo precisa e pode me sustentar.

Dois métodos complementares

Dos vários métodos que podem ser usados para responder as questões acima, destacamos dois que se complementam para sentir e pensar ou repensar um empreendimento voltado a gerar qualidade de vida: o canvas do modelo de negócios e a mandala Ikigai.

“Don’t Write a Mission Statement, Write a Mantra.”
Guy Kawasaki

Business Model Canvas

O canvas do modelo de negócios ou business model canvas (Osterwalder, Pigneur 2017) é um modelo simples que nos ajuda a visualizar como as várias partes do negócio contribuem na geração de valor para os clientes (Figura 1).

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Figura 1. O Business Model Canvas (Osterwalder, Pigneur 2017)

O Canvas, do inglês tela, é uma metafora para “você pintar o quadro de seu negócio”. É formado por 9 blocos. Os blocos da direita vão representar como necessidades, desejos e oportunidades de um determinado segmento de clientes serão atendidas por nossa proposta de valor, que pode ser um produto ou serviço. Mostra ainda, de que forma cultivamos o relacionamento com os clientes e através de que canais entregamos o valor a eles. O lado esquerdo mostra como o valor é construído: que atividades são executadas, com quais recursos e contando com que parceiros. A parte inferior mostra que tipos de receita são geradas no atendimento aos clientes e quais os custos envolvidos na produção e entrega dos produtos ou serviços.

O Canvas é uma fotografia de um “modelo de negócio”, ou seja, de uma forma de entregar valor a um conjunto de clientes e em contrapartida, obter sustento.

Ikigai

A palavra japonesa Ikigai não tem uma tradução direta em Português, mas incorpora a ideia de realização na vida, sendo composta dos termos iki, que significa vida e gai, que significa valor e merecimento (Mathews 2010). Essencialmente, ikigai significa “razão de ser” e é descrita, na cultura da cidade de Okinawa, como “a razão pela qual você se levanta pela manhã”. Ikigai envolve, tanto sentir-se realizado, quanto realizar um trabalho que gere bem-estar para os outros, além de poder ver ou conhecer as pessoas beneficiadas pelo seu trabalho. Toda pessoa tem seu ikigai, ainda que não tenha consciência disso. A negação do ikigai, em razão de uma força externa ou de bloqueios ou autossabotagem pode gerar uma sensação de vazio ou de falta de sentido na vida. Essa “razão de ser” é a fonte de energia e determinação, que leva algumas pessoas a enfrentarem privações e assumirem riscos ao explorar os caminhos em direção a sua missão pessoal. É esse tipo de força motriz que move a atleta olímpica, o ativista político, a empreendedora disruptiva ou o artista inovador, em sua saga de fazer o impensável, contra todas as possibilidades e independente das opiniões dos demais. Em algumas pessoas, o ikigai pode se manifestar em atividades menos heroicas, tornando-as realizadas ao cuidar do jardim, ajudar pessoas necessitadas, buscar um lar para animais abandonados, publicar um blog de utilidade pública, encontrar sua tribo, aprender a tocar um instrumento ou criar um projeto revolucionário.

Ikigai é representado por uma mandala que relaciona: aquilo que amamos, o que fazemos bem, o que o mundo precisa e o que somos pagos para fazer (Figura 2).

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Figura 2. Modelo do Ikigai

Portanto, ikigai combina a dimensão individual, daquilo que “faz minha vida valer a pena”, com a dimensão social, daquilo que “contribuo para o mundo e a comunidade”. Meu ikigai pode estar voltado a um ou mais focos, materiais ou existenciais: família, trabalho, religião, política, projetos sociais, negócios, arte, esporte, diversão, prazer e sonhos, em geral. Ikigai ajuda a entender porque muita gente que tem saúde, beleza, um bom trabalho, dinheiro e “uma vida boa”, sofre da sensação de que “falta alguma coisa”.

Relacionando o Ikigai ao Modelo de Negócio

Se o ikigai tem relação com o “propósito na vida”, o modelo de negócio tem relação com o “propósito do negócio”. Ambos tratam da “razão de ser” do empreendedor como indivíduo agindo no mundo e do negócio como organização gerando valor.

Respeitadas suas diferentes filosofias e origens culturais, ambos os modelos nos levam a questionar a “razão de ser” daquilo que fazemos.

Seja a mudança que você quer ver no mundo.” Mahatma Gandhi

Pesquisas indicam que “pessoas com maior senso de propósito vivem mais, dormem melhor e têm melhor vida sexual. Apontam que o “propósito” reduz o risco de acidente vascular cerebral e depressão … ele ajuda as pessoas a se recuperarem do vício ou gerenciarem seus níveis de glicose, se forem diabéticos” (Schippers 2017).

Na elaboração da declaração de propósito de um empreendimento, recomenda-se encontrar “uma maneira de expressar o impacto da organização sobre a vida de clientes, estudantes, pacientes – quem quer que você esteja tentando servir” (Kenny 2014).

O propósito se relaciona ao porque de criar um negócio, à sua razão de ser, à sua essência, que então determina as decisões do o que e como fazer na prática. 

Associar o Ikigai ao Business Canvas ajuda a alinhar o “propósito de vida” e o “propósito do negócio” (Figura 3).

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Figura 3. O propósito de vida orientando o propósito do negócio

My Mindful Business: Integrando Negócio e Plena Consciência

O profissional holístico, em geral, já trabalha com conceitos e técnicas relacionadas ao que vem sendo chamado de Mindfulness ou Plena Consciência. Contudo, muitos não tiveram em sua formação o acesso a elementos que os ajudem a pensar sua prática holística sob a ótica de uma atividade que os sustente, no curto e longo prazo, o que no empreendedorismo, equivale a pensar no lado negócio desta atividade.

Além do Ikigai e do Canvas do Modelo de Negócio, vistos acima, a mentoria de negócio emprega outras ferramentas que ajudam o profissional holístico a entender quem é seu cliente, quais suas necessidades, desejos e potencialidades, como configurar um serviço ou produto que combine qualidade com conveniência, como diferenciar sua proposta de valor das demais ofertas existentes, como pensar seu serviço sob o impacto das novas tecnologias e como planejar a evolução de seu empreendimento.

Ao combinar coaching e consultoria, a metodologia My Mindful ♥ Business apoia o profissional holístico a integrar o terapeuta com o empreendedor, uma vez que cada paciente é também um cliente em busca de uma proposta de valor, que atenda suas necessidades.

13 Perguntas e um Processo

As 13 perguntas a responder durante o processo de mentoria, com base nos modelos visuais do Ikigai e do Canvas são:

  1. O que você ama (ser, fazer, sonhar)?
  2. O que o mundo precisa?
  3. No que você é bom ou pode aprender?
  4. O que te sustenta ou pode te sustentar?
  5. Quem são seus potenciais clientes e quais seus desejos, necessidades ou problemas?
  6. Que valor você pode gerar para atender aos anseios de seus potenciais clientes?
  7. Como você se relaciona com eles?
  8. Como entrega o valor na forma de serviços, produtos, experiências?
  9. Que receitas seus serviços/produtos geram e como/quando você as recebe?
  10. Que atividades você realiza para gerar e entregar o valor aos clientes?
  11. Que recursos (insumos, conhecimento, esforço) você emprega nestas atividades?
  12. Quanto custam tais atividades e recursos?
  13. Que parceiros podem agregar recursos ou atividades, reduzindo custos e complexidade?

Na verdade, essas 13 perguntas são um subconjunto das muitas envolvidas na criação ou reinvenção de um empreendimento.

Ao iniciar a reflexão estratégica a partir do Ikigai, colocamos o propósito como eixo central de nossa jornada empreendedora holística.

Ao associar “o que amamos” com “o que o mundo precisa” e com “o que sabemos fazer”, descobrimos nossa missão e a alimentamos com nossa paixão.

Ao “buscarmos nosso sustento”, aplicando “o que sabemos fazer” “àquilo que o mundo precisa“, alinhamos nossa profissão com nossa vocação.

A partir daí, podemos usar o Canvas para detalhar como podemos gerar esse valor que o mundo tanto precisa.

Nossa motivação pode ser resumida pelo pensamento abaixo

Só porque a vida é, em última análise, sem sentido, isso não nos impede de procurar significado enquanto vivemos. Alguns procuram isso na religião, outros em uma carreira, dinheiro, família ou puro escapismo. Mas todos os que o encontram parecem tropeçar com a mesma coisa – algo que os psicólogos chamam de propósito“.
(Burrell, 2017).

Saiba mais sobre a Mentoria My Mindful ♥ Business.

Gratidão.

Namaste 

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Referências

Burrell, Teal. A meaning to life: How a sense of purpose can keep you healthy. New Scientist, Jan 25, 2017

Jacks, Lawrence P. Education Through Recreation. New York (NY): Harper and
Brothers; 1932.

Kenny, Graham. Your Company’s Purpose Is Not Its Vision, Mission, or Values. Harvard Business Review, Sep 03, 2014.

Kawasaki, Guy. Don’t Write a Mission Statement, Write a Mantra. http://ecorner.stanford.edu/videos/1172/Dont-Write-a-Mission-Statement-Write-a-Mantra

Kawasaki, Guy. Make a Mantra. Guy Kawasaki’s 60 Second StartUp Series

Mathews, Gordon. Finding and Keeping a Purpose in Life: Well-Being and Ikigai in Japan and Elsewhere in Gordon Mathews and Carolina Izquierdo (eds.), Pursuits of Happiness: Well-Being in Anthropological Perspective, Berghahn Books, 2010.

Osterwalder, Alexander; Pigneur, Yves. Business Model Generation: Inovação em Modelos de Negócios, Alta Books, 2011.

Schippers, Michaéla. IKIGAI – Reflection on life goals optimizes performance and happinessERIM Inaugural Address Series Research in Management, Erasmus Research Institute of Management (ERIM), 2017.