O que são as Economias do Intangível

O que são as Economias do Intangível
Claudio D´Ipolitto, D.Sc.*

Resumo: Várias “economias” têm sido apresentadas como sucessoras das economias agrária e industrial, entre elas: as economias da informação, do conhecimento, da cultura, de serviços, da atenção, da experiência, da reputação, em rede e, mais recentemente, a economia criativa.

O Intangível como valor e diferencial

Analisando seus pressupostos e definições, constatamos que não constituem um mesmo corpo conceitual, mas reconhecendo suas diferenças, podemos apontar pontos de convergência entre elas. Essas “economias” tratam o intangível como insumo, produto e valor de troca econômica (muitas vezes, não monetária), marcando uma ruptura com as economias industriais, baseadas na produção de insumos e bens tangíveis.

Para termos uma visão panorâmica destas economias baseadas no imaterial, resumimos a seguir algumas das características destas Economias do Intangível representadas no diagrama

Intangível é a informação produzida, armazenada, processada e trocada através das tecnologias de comunicação e informação (TICs). É também intangível o conhecimento que é construído nas interações e transformações ocorridas entre seu estado tácito (implícito, mental) e seu estado codificado (explícito, escrito, digital), no âmbito seja do indivíduo, seja do grupo.

Economias do Intangivel

Economias do Intangivel

As trocas e construções de conhecimento e informação, que ocorrem através das redes de computadores, são facilitadas pelas redes sociais apoiadas na Internet. Estas trocas potencializam a geração de ativos intangíveis na forma de aprendizagem, reconhecimento, relacionamentos, articulação de interesses e cooperação, mas também, de crises e especulações. Este contexto de conectividade e convergência digital propicia o crescimento dos serviços intensivos em conhecimento, baseados em comunicação e informação, dispersos geograficamente.

Nesse ecossistema de relacionamentos e serviços em rede, ganha peso o valor intangível e subjetivo da experiência do usuário e ganha evidência a moeda da reputação, cuja construção é buscada através da solução de dúvidas em fóruns, da publicação de blogs e tweeters, além de variadas participações em redes sociais. O crescente papel da subjetividade e do simbólico é especialmente relevante nas relações entre quem cria e consome ou frui produtos e criações culturais.

E é nesse mundo conectado, com uma crescente oferta de conteúdos multimídia de informação, conhecimento e entretenimento, que o tempo e a atenção do público passam a ter o papel de moedas. Um mundo no qual a produção de conteúdo é acessível a todos os cidadãos socialmente incluídos, onde as fronteiras entre autor e público são cada vez mais difusas e onde surgem novas formas de criação colaborativa (como no crowdsourcing) e de financiamento coletivo (como no crowdfunding), tem levado à emergência da economia da gratuidade, que representa tanto ameaça quanto oportunidade para os criadores de conteúdo, software e conhecimento em geral.

Cada um destes termos é coberto por diferentes autores e abundante material pode ser encontrado na Internet por aqueles interessados em aprofundar-se nas várias facetas destas economias do intangível.

Casos de Inovação baseada em Intangíveis e na Criatividade

    • IMPORTANTE:
      • todos são inovações no modelo de negócios: na forma como um valor distinto, único é gerado pela empresa e percebido pelo cliente criando um “oceano azul
    • Havaianas:
      • inovação de percepção: reposicionou um produto básico, barato e sem charme “chinelo de dedo” como um produto de moda, chique e valorizado até no exterior.
      • inovação de mercado e de promoção: mercado de moda e passarelas internacionais
    • Restaurante a Quilo: inovação de processo: uma inovação anônima brasileira que mudou a face do setor alimentação
    • Beleza Natural:
      • inovação de percepção: valorizou os cachos naturais, reforçando a autoestima da mulher brasileira
      • inovação de processo: criou uma “linha de montagem” (inspirada nas lojas de fast food), onde cada profissional cuida de um passo do tratamento
      • inovação de produto: criou um “super-relaxante” para cabelos crespos
      • inovação de mercado: focou a base da pirâmide, que em 1993 ainda não era chamada de “nova classe média”
    • Instagram:
      • inovação tecnológica e cultural: aplica filtros em fotos, compartilhadas nas redes sociais
      • inovação de mercado: facilita o acesso de leigos a recursos antes restritos a profissionais
      • inovação social
    • São Paulo Fashion Week e Fashion Rio
      • inovação institucional e organizacional: reposicionaram o “setor de confecções” como “setor de moda”.

*Claudio D’Ipolitto
claudiodipolitto@gmail.com
Doutor em Engenharia de Produção
Mestre em Informática
Consultor e pesquisador em Inovação nas Indústrias Criativas
Professor e coordenador de cursos executivos na FGV Rio